sexta-feira, 30 de março de 2012

Vai um shot de cicuta?...

A Morte de Sócrates (Jacques-Louis David, 1787)


     E, para quem não sabe rir e que gosta de viver a vida imerso em amargura e rancor - ou só sabe assim vivê-la -, ofereço meu (sor)riso, minha risada, uma escarnecida enviesada, feito picada de pulga. 
     Para aqueles que se aprazem com o mal-estar alheio e que chafurdam no narcisismo e orgulho excessivos, ergo meu copo e ofereço um brinde!
     Um shot de cicuta, com açúcar e com afeto, em louvor a vossa incomensurável escrotice!

“(...) Ser espirituoso é poder, em alguma medida, libertar-se, sempre de modo obtuso, mas de forma absurdamente justificável, daí o riso. Quando votado ao riso, a justificativa pelo absurdo é a saída do espírito.
   Quando transitamos com tranquilidade pelos meandros impróprios de uma expressão que se atreve a contestar o óbvio, e insistir em enunciar o absurdo e o ridículo na dissimulação consciente de que estamos imersos no absurdo; mas que esse é o nosso mote de sobrevivência em uma realidade absurda, e que estar preso na mesma não merece mais do que nosso desprezo, mesmo que este possa brilhar por um único instante no beco sem saída de tal determinação: aí podemos abrir-nos para o riso: ínfimo na sua cronologia, mas eterno na memória que ensina, aos que virão, a abrir algumas brechas para o prazer, mesmo que sem corpo, sem o crivo do possível, mesmo que em espírito. O espírito possui esta virtude, a de corporificar o improvável. Como já disse, ele é sopro, ele inspira, vivifica.”

(A. Facioli – A ironia, considerações filosóficas e psicológicas, Ed. Juruá)

*Grifos MEUS, e muito MEUS.